sexta-feira, julho 31, 2009

The G-Spot* Tomo 2

Na ressaca da semi-massiva infusão twitteriana pelo Mundo do desporto, sentimo-nos forçados a recuperar a rubrica mais popular da Letónia e de Vila Real de Santo António, The G-Spot.

Podem parar de enviar cartas, redigir abaixo-assinados e de organizar protestos com armas de fogo na Venezuela, The G-Spot está efectivamente de volta.

O Duque do Vocábulo Simétrico do Cautchú, esse, nunca nos deixou. Pelo contrário, deixou-nos doces torrões de relva, ainda frescos e acabados de arrancar. E nós, com toda a humildade, iremos servir-vos esses mesmos torrõezinhos num plateau de ouro.

Sentai-vos, barrai os olhos com manteiga e espalhai compota no monitor, porque estais prestes
a degustar uma sanduíche de inigualável prazer cromático:


- "A Vieira só falta contratar um adjunto chamado Maomé, para assegurar vendas de kit sócio a todas as religiões. Lastimável."

- "Jesus promete Benfica a jogar o dobro. Para este milagre da multiplicação é preciso transformar água em vinho e aproveitar plantel actual."

-"A cavalo dado não se olha o dente, mas por 15 milhões Milan exige cremalheira sem defeitos antes de engrenar contratação de Cissokho."

-"Franco-atiradores verbais do futebol luso aterram no Médio Oriente. Com Pacheco e Cajuda a paz, essa, avista-se mais longe.".

-"Moutinho desconhece interesse de Real. Também Beto era dado como certo no Real a cada época balnear. Com papas e bolos se enganam os tolos."

-"Após Ramires, Patric, Shaffer, Saviola, Javi e Weldon, Jesus continua no mercado por mais reforços. Verdadeiramente, um pescador de homens."













*
twitter de gabriel alves, um simples amante da geometria desportiva

quarta-feira, julho 29, 2009

Cinco Estrelas da Amadora

A Amadora já não tem futebol de primeira. É tempo então para recordar algumas figuras cintilantes dos tricolores suburbanos, quando estes saíram de casa às 7:00 para apanhar o comboio superlotado da Primeira Divisão (eram 20 equipas a lutar pelo seu espaço em 1988, todas de braço no ar e odor a sovaco sem desodorizante na cara umas das outras).

Iniciemos esta missão espacial por Cartaxo, que calha tão bem na Amadora como Alhandra em Leiria ou Mangualde em Paços de Ferreira.
Muitos não se recordarão de Cartaxo. Quanto muito, lembrar-se-ão apenas dos vinhos do Cartaxo. O que é tremendamente injusto. Cartaxo foi Sideshow Bob ainda antes do próprio Sideshow Bob existir. E, extremamente importante, adicionou à guedelha insubmissa um solene bigode, emprestando uma lusitanidade ímpar à personagem.
Cartaxo surge aqui com uma espécie de halo messiânico a envolvê-lo. Mas, futebolisticamente, Cartaxo com o seu lookD.Sebastião goes to Woodstock” não salvou a Amadora do nevoeiro exibicional enquanto por lá cirandou. E, em abono da verdade, o que ele fez antes e depois da sua estadia na Amadora também não é recordado por aí além, nem mesmo pelos indefectíveis adeptos estrelistas entretidos a ouvir os relatos do Sporting e do Benfica e que não arredavam o traseiro da almofadinha na bancada. Cartaxo, decididamente, não teve muita parra nem muita uva. Mas, enfim, tinha estilo. Algum, pelo menos. Isto é, se utilizarmos um critério muito largo para o conceito de “estilo”.


Para “estilo” a sério temos os dois Marlons. Designemos o primeiro Marlon por “Marlon A”. “A” de Alves, mas também porque jogava à defesa e aparecia antes do outro Marlon nas fichas de jogo.
Marlon A era um xerife do sertão. Era durinho e tinha mão para sozinho dominar manadas com centenas de milhar de cabeças de gado, dispensando o uso de cães nas vastas paisagens de Mato Grosso. Puxava para trás o cabelo besuntado com um resíduo petrolífero a que chamava parafina com o auxílio de um pente que guardava religiosamente na retaguarda dos seus calções. O pente era um derivado de canivete suíço e também possuía uma lâmina afiada, um saca-rolhas, um cotonete e um palito de plástico – que isto de ser vaqueiro exigia preparação para todas as situações. Gostava de fazer churrascos nas selvagens ruas da Buraca e era costumeiro ouvi-lo uivar nas tórridas noites de luar da Brandoa.
Mas o que devemos reter é o facto de ter possuído um aprumado bigode. Tudo o resto perde o seu sentido perante este símbolo de virilidade.

Marlon B, por seu turno, tornou-se numa verdadeira “pièce de résistance” estrelista, Birame aparte. O homem a quem um comentador do norte uma vez se referiu como “Marlão Brandon” chamava-se, na realidade, Marlon Brandão. Consta que o pai atribuiu-lhe o nome como tributo ao malogrado actor Marlon Brando. Talvez o pai se tenha arrependido quando viu “O Último Tango em Paris”. E, vai daí, talvez não – talvez apenas tenha mudado a sua perspectiva sobre as possíveis finalidades da margarina.
Marlon B chegou e varreu o lodo que atolava o futebol estrelista com as suas longas melenas. Bradou “apocalypse, now!” às defesas contrárias e a bola era o seu grande desejo. Tornou-se o padrinho de todo o balneário, rendido que este estava às suas propostas irrecusáveis de bom futebol. Depois de uns tempos agradáveis, Marlon B fez-se à estrada e foi enquadrar-se no xadrez do Bessa durante uns bons anos, onde continuou a desempenhar os principais papéis. Ganhou um Óscar pela sua fantástica interpretação no spot publicitário do shampoo Organics, mas, rebelde, nunca chegou a receber o prémio, preferindo beberricar o seu cafezinho nas imediações da Boavista.

Rosário era pequenito e estava sempre pronto para a luta. Inspirou multidões com a sua “stamina”. Por exemplo, Didier Deschamps, que formatou a sua cara e o seu tamanho à imagem de Rosário (as semelhanças físicas são evidentes). Deschamps vira um Estrela da AmadoraPortimonense quando pensou em comprar um T2 na Reboleira e ficou abismado com a capacidade que Rosário demonstrou durante o aquecimento. Então, abandonou os planos de habitar na Reboleira (optou pela Venda Nova), voltou para França e adquiriu um “Kit Rosário”, que incluía uma máscara facial, um adaptador de tamanho, duas chuteiras e um corta-unhas. A partir daí, Deschamps deixou de ser um médio que corria muito mas não marcava golos para ser um médio que corria muito mas não marcava golos e que tinha aspecto de ser adjunto do Fernando Santos.
Aliás, durante a sua estadia na Amadora, Rosário já pouco se interessava pelo jogo dentro do campo. Rosário foi correndo e exercitando-se com afinco, mas apenas como preparação para o grande desafio da sua vida: acompanhar eternamente o engenheiro Fernando Santos. E ambos vão vivendo felizes para sempre, Santos com os seus esquemas tácticos e apertados nós de gravata e Rosário com os seus pinos e objectos de marcação variados.

Viagem que é viagem pelas estrelas não podia acabar sem uma referência ao mítico Bobó. Já sobejamente referenciado, este mito moderno desperta sorrisos entre os adeptos e funestas recordações de nódoas negras aos antigos adversários. É, provavelmente, o guineense mais famoso de sempre. É deveras curioso como os homens costumam suplicar recorrentemente pelo Bobó, apesar da sua carreira já ter terminado há bastante tempo, e as mulheres, três-meia-volta, estão com o Bobó na boca, mesmo aquelas que nada percebem de futebol. É um autêntico fenómeno de popularidade, este outrora vigoroso médio defensivo. Hoje em dia, porém, parece que nem o melhor Bobó de sempre seria capaz de reanimar o velho Estrela da Amadora.

quarta-feira, julho 22, 2009

A Literatura Do Futebol Português

As letras e a bola. O golo e o prefácio. Como se relacionam estes dois mundos?
Vale a pena cada cêntimo gasto a fotocopiar o livro. Forra muito bem a gaiola do meu canário (4,5/5)” – The Washington Post

Marinho Neves prova que não é preciso saber escrever para obter um best-seller. Aliás, Marinho Neves prova tudo sem provar nada (…) Devastador. (8/10)” – Le Figaro

Isto sim, é que é escrever! Já compras-te? Se não compras-te, compra já, ouvistes? (10/10)” – Leitor do “Correio da Manhã”

Sensualidade e perversão de mãos dadas, à boa maneira do bas-fond do futebol português (…) Bocage e Pier Paolo Pasolini passaram por aqui mas não pararam (8,5/10)” – Il Corriere Della Sera

Um fantástico romance de cordel de uma conceituada escritora de bordel (…) Bate a concorrência aos pontos e bate na concorrência para ganhar mais alguns pontos (4,75/5)” – Süddeutsch Zeitung

Isto sim, é que é escrever! Já compras-te? Se não compras-te, compra já, ouvistes? (10/10)” – Leitor do “Correio da Manhã”

Não acreditem no título (…) Coroado mostra que a sua memória está bem melhor que o seu sistema gástrico. Indispensável. (2,5/3)” – Het Nieuwsblad

Coroado pisca o olho a Saramago, flirta com Gabriel García Márquez, mas acaba por expulsar o Caniggia (…) Esperamos por nova admoestação (8/10)” – The Guardian

Ele diz que é do Belenenses mas cá para mim é lagarto (…) Tem muita mania (…) Acho que dava um bom cobrador de fraque (4/10)” – Leitor do “Correio da Manhã”

Os críticos ainda estão aturdidos com esta publicação, mas a nossa SAD já conseguiu, em exclusivo, um pedaço desta obra revolucionária:

Está mal escrito. Tem tudo para vender.

domingo, julho 19, 2009

Nito Bonito

Houve um tempo em que os animais falavam, que havia fadas e princesas e que o Benfica ganhava campeonatos. E também houve um tempo em que o Nito e o Spassov partilhavam várias aventuras e desventuras, como se estivessem numa reprise de Tom Sawyer e Huckleberry Finn.
Eis a primeira parte de uma das suas tropelias (clicar para aumentar):





(continua)

quinta-feira, julho 09, 2009

O Sr. Gila

Gila, ou a primeira vez que confundi um jogador da bola com um contabilista de Valpaços.

Mosaico Cromático

Estamos na Primavera futebolística, altura em que florescem novas ninhadas de cromos prontas a saciar a sede da massa adepta. É agora que os empresários e dirigentes saem debaixo da penumbra que os envolveu durante todo o estado de hibernação para copularem desenfreadamente em mercados distantes, fazendo despontar mil e uma ilusões sob a forma de um penteado esdrúxulo ou de um nome peculiar por um mero punhado de euros.
É certo que lamentamos a partida de algumas figuras que deram água pela barba à nossa SAD, mas a vida de um cromo é mesmo assim: uma bola a escapulir pela linha final, um atraso na chegada ao treino e, tumba!, lá se vai o cromo.
Felizmente, 2009-10 promete ser uma época tão profícua como as anteriores, deixando a nossa SAD imune à crise que dizem que grassa por aí (Cristiano Ronaldo que o diga).
Só para terem uma ideia, produzimos uma pequena peça artística apenas com algumas caras recém-chegadas à nossa I Liga, excluindo os três da vida airada (sabendo que o Sporting ainda está envolvido nas obras de reconstrução da Academia e o Benfica está a descobrir contratações para o FC Porto remodelar o plantel).

Uma plêiade de cromos bem intencionados e bem fotogénicos, mas que, infelizmente e como dita a Mãe Natureza, terá muitas dificuldades em resistir aos primeiros meses de vida na sempre dura I Liga deste nosso rectângulo. O espaço que medeia entre Julho e Setembro será vital para determinar quais os cromos desta fornada que terão algum sucesso e aqueles que… bem, apenas conseguirão que a nossa SAD se lembrasse deles. Também não nos podemos esquecer que, por vezes, estas novas crias cromáticas são acossadas pelos cromos já residentes, numa dura competição pela sobrevivência ao jeito de um programa da National Geographic aplicado à cromice dos balneários lusitanos.
Analisemos os nomes destes nados-vivos para a principal selva do futebol português de 2009-10:

NAVAL: Quatro crias para preencher a defesa, o meio-campo e o ataque: Lupedo, N’Kake, Aboubacar Tandia e o regresso de um dos nomes mais queridos dos caçadores furtivos de cromos da nossa praça: Ouattara. Um nome sempre em alta nas bolsas cromáticas e que promete não deixar os seus créditos por mãos alheias.

LEIXÕES: Também um ataque à cromice em toda à linha, com Cauê, Patrão, Faioli e o pouco simpático Trombetta.

BELENENSES: Mais modesto nas contratações de campo para compensar o afinco técnico-jurídico com que trabalha na secretaria. Barge e Yontcha dão, porém, um ar de sua graça.

GUIMARÃES: Um norte-americano, Kamani Hill, e um defesa, Lazzanetti, são as principais crias cromáticas do defeso vimaranense.

NACIONAL: Depois da alta taxa de natalidade cromática dos últimos anos, o Engenheiro Alves fez as contas à vida e concluiu que a segurança social nacionalista não podia aguentar aquele ritmo descompassado. Daí a implementação de uma política cromo-contraceptiva à qual escaparam Nejc Pecnik e Elisson.

MARÍTIMO: Nada a assinalar, a não ser repetir um nome que o site zerozero já indicava como parte do plantel de 2008-09 mas que, sinceramente, não nos cansamos de repetir: Takahito Soma, o japonês dos campeonatos nacionais. Veremos se fará hara-kiri ao primeiro copo de saké ou se será o kamikaze dos Barreiros.

PAÇOS DE FERREIRA: Três singelos nomes que não ultrapassam as quinze letras todos juntos: Rondon, Ciel e Bamba (não confundir com Bambo nem com a mulher dele; ele é Bamba como a corda).

SETÚBAL: Os ares de recessão do Sado não impedem que se tragam nomes do quilate de Djikiné e Ladji Keita.

ACADÉMICA: O mais sintético dos reforços equipa de negro: Bru. Espera-se que gere um grande Bru(á). Nem que seja pelo seu penteado Milli Vanilli.

RIO AVE: Tempos de contenção junto às Caxinas. Mas ainda há um Wesllem para apreciar.

BRAGA: Saudosos os tempos do Ganga, Johnny Rodlund e Kim… Talvez Joabe desperte alguma atenção cromíflua.

LEIRIA: Alguma expectativa em torno do guardião Andjelko Djuricic (o novo Miroslav Zidnjak?) e de Sow (o novo Salam Sow?)

OLHANENSE: Autêntica mãe de aluguer cromática desta competição, abraçando todos os filhos que o FC Porto deserda. Desta creche imensa, destaca-se o irascível Zequinha, agora com a oportunidade de ouro para agredir algum interveniente do jogo em prime time. Para além dele, há o Gomis (com “i”).

Resta-nos desejar a todos eles boa sorte… e em Janeiro cá estaremos para analisar uma nova prole.

quinta-feira, julho 02, 2009

Cílio* Season

Encontramo-nos em plena Cílio Season de preparação para a época de '09-'10, e o esférico local continua animado e impregnado de cromífluidade como sói acontecer.

Nós aqui no Cromos da Bola SAD, temos orgulho e fazemos gala que nos considerem gente simpática, agradável. We care.
Vai daí, começamos a nossa resenha pela agremiação lúdica de Alcochete. Depois de completarem um tetra-vice-campeonato, está na hora de ficarem em primeiro nalguma coisa. Um pouco de solidariedade fica sempre bem.

A nossa viagem por terras de Alvalade principia com uma nota negativa: a dieta cromática. De um assomo apenas, os responsáveis leoninos pretendem emagrecer o plantel de modo a evitar o excesso de colesterol autocolante que os afligia.
"Pipi, Ronny & Tiuí" deverão levar o pouco futebol que têm para outros campeonatos, mas se o fizerem em conjunto, nós ficaremos un petit peu felizes, porque não é todos os dias que um trio chamado "Pipi, Ronny & Tiuí" faz carreira fora do ramo circense.
No sentido inverso, deverá ingressar o avançado Caicedo, que faria uma excelente dupla ao lado de Cailogo, sendo ambos magistralmente servidos pela formiguinha centrocampista Cai-e-Rebola.

















Ainda por Lisboa - ou Alcochete - assistimos à recriação histórica da Batalha de Aljubarrota, mas desta feita sem espanhóis, sem padeira, e com armas mais rudimentares do que em 1385. O orçamento não dá para tudo.
Em 2009, os arcos e flechas da batalha original foram substituídos por essa tecnologia insuperável do Séc. XXI conhecida por pedra.

Passemos então ao outro lado da barricada (literalmente), onde se encontram os crónicos animadores da Cílio Season e actuais Octa-Campeões do defeso, os enérgicos senhores do Sport Lisboa e Rui.
Numa brava contenda reminiscente dos habituais braços-de-ferro entre os governos-fantoche estadunidenses na América do Sul e respectivas guerrilhas de extrema-esquerda, as eleições do clube decorrem na maior normalidade. Isto tendo em conta que a normalidade, no que respeita à referida agremiação, passa por tratar todos e quaisquer assuntos a bordo de um avião privado - política instituída por São Costa em '08: "Passarei todo o tempo disponível o mais perto possível de meu Pai, o Sr. Deus." (versículos de São Costa, 12:4).

Assim sendo, o novel candidato ao presidencial bigode do Sr. Vieira, nado na odiada urbe dominada pelo visceral inimigo azul, mostrou-se desde cedo identificado com a vigente mística clubista, apresentando a sua candidatura a bordo de um aviãozinho privado, denominado Eagle One. Provavelmente não queriam que o confundissem com o Eagle Two, onde o grémio luxemburguês Fola Esch costuma apresentar os seus equipamentos novos...ou até mesmo com o Beagle One, local de eleição para as conferências de imprensa do lateral-esquerdo do Lusitano Ginásio Clube Moncarapachense, mas tendo em conta que este último se trata de uma carrinha da Volkswagen, o engano seria menos provável.

Porém, eleições antecipadas, órgãos demissionários, golpes de estado, providências cautelares, garotos, tribunais de primeira instância (já levaram mais coça recente nos tribunais, do que na UEFA '08-'09 inteira), alterações de estatutos e bigodes à parte, as eleições do Benfica Lissabon correm dentro da maior das normalidades. Viva a democracia.

No que respeita a futebol (ou quase), o defeso também tem prosseguido dentro do usual. São Costa (cujo nome não deverá JAMAIS ser pronunciado em vão) continua na sua particular demanda de montar no Benfica de 2009-2010 um fac-símile do River Plate de 2000-2001. Para tal, delineia três requisitos para os novos reforços:

- preço de custo acima de 5M de Euros.
- número inferior a 10 jogos disputados desde 2007.
- facilidade na interacção com lesões musculares.
(mais informações em www.reforma-antecipada.gov.pt)









(com esta alcunha, vai ter vida difícil em Portugal)

A Ai(!)mar e Saviola (aguarda-se pelo primeiro embate Rabiola vs Saviola) São Costa planeia juntar Ricardo Rojas (saúda-se o regresso) e Ariel Ortega, apelativos por terem sido bons executantes em 2001 e por estarem basicamente arredados do futebol profissional há mais de 300 dias. De resto, a Divindade da Damaia já se encontra em conversações com os agentes dos referidos (ex-)futebolistas, com o intuito de inflacionar os seus passes até aos 5M pretendidos.
Neste momento Sua Santidade estará já de regresso à capital lusa a bordo de seu avião particular, onde decorre uma informal sardinhada com amigos de longa data como Sto. António, São João, São Pedro, Ghandi, Deus e Madre Teresa de Calcutá.

A única excepção à banalidade que tem sido esta Cílio Season benfiquista dá pelo nome de Pedro Mantorras, dado ser o primeiro defeso desde 1962 em que o avançado angolano não vê um joelho seu ser autopsiado. Saiba mais informações sobre o universo encarnado no programa "Couratos e Bifanas"(não, não estou a gozar), na sempre isenta Benfica TV.

Mais a Norte, a primeira transferência milionária do corriqueiro êxodo de Verão portista foi abortada devido a meia dúzia de cáries, ou mais concretamente, a uma mordida assimétrica. Por muito irónico que seja o facto do clube de Ronaldinho Gaúcho rejeitar um jogador por causa de uma cremalheira agressiva, pergunto-me se a infame pasta de dentes de Jesualdo terá sido impingida ao restante plantel. E em simultâneo ficámos a saber a razão de Armando "Le Petit" Teixeira nunca ter jogado no AC Milan, dado que provavelmente terão reparado na marca canina que o trinco deixou na perna de um Pirlo qualquer, em alturas do seu último confronto com os milaneses.
Já dizia São Costa (posteriormente eternizado na cúpula do Duomo) aquando da sua passagem por Milão: "Non mi piacciono le morse assimetriche, madonna!" (versículos de São Costa, 10:1)
















Umas paragens de metro mais abaixo, um ex-campeão caído em desgraça (podíamos estar a falar de Mike Tyson, até porque isto vai incluir drogas e xadrez, mas...não) levou recentemente mais um golpe nos queixos, quando o seu ex-assalariado Fernando "L'Enfant Terrible" Mendes o acusou de práticas menos edificantes. A saber:

"Havia jogos em que entrávamos no balneário e perguntávamos: onde está o milho? Aparecia o massagista com uma bandeja recheada de seringas para dar a cada um. Parecíamos galinhas de volta do prato, à espera da vez"

Ora, conhecendo nós o plantel axadrezado de '91-'92, pensamos ser seguro afirmar que o jogador mais similar a uma galinha seria o icónico Alfredo, mas com certeza que Ivan Pudar não lhe ficava muito atrás nesta incursão pela ordem galliforme.
De qualquer forma, longe de nós imaginar que o clube do ex-vocalista dos Ban estaria envolvido neste tipo de despudorada prática, especialmente depois de vermos o proverbial pastelão romeno Ion Timofte a disputar desafios com a fortaleza física e raça de um Bobó sob o efeito de esteróides. Longe de nós.

Nenhuma crónica sobre a Cílio Season estaria completa sem a celebração anual da não-despromoção dos brasileiros do Restelo via secretaria. Os motivos invocados variam de ano para ano, mas a impressionante regularidade da supracitada celebração surpreende pela criatividade nela empregada.
Em breve publicaremos nova pollga relativa a esse assunto que roubou António "Peúgas" Fiúza da divisão principal da nossa bola. E em Cromos da Bola SAD, não gostamos de ver um dos nossos cair.

Continuação de uma Cílio Season prazenteira, e cuidado com os aviões particulares.
"Este post a roçar o herege termina aqui." (versículos de São Costa, 12:4)

*ex-Deus de Gondomar, actual Nanjing Yoyo

segunda-feira, junho 29, 2009

Alcochete a Ferro e Fogo

Pedro Barbosa está na sua rústica casa de campo a comer um croissant com recheio de ovo. Um mega croissant, refira-se. Desloca-se na cadeira de rodas até à janela e ao fim de longos 15 minutos consegue finalmente vislumbrar a lassidão da paisagem. Ao fundo, uma nuvem de fumo parece indicar o fim da tranquilidade: era Rui Costa, o santo que fez o milagre de sacudir a água do seu casaco Hugo Boss (versículos de São Costa, 16:9), varrendo a planície a espumar de raiva.
Barbosa, com a sua placidez habitual, rumina mais um pouco o seu croissant e deixa-se estar.
- Eu é que não era maluco para começar a correr com este calor todo… - pensa com a sua franja que tomba resignada sobre a testa.

Costa, o santo que fez o milagre de gastar todo o orçamento do Malawi em contratações do calibre de Balboa (versículos de São Costa, 4:3), avança imparável destruindo azinheiras, esquartejando bolotas, dilacerando os bonecos Playmobil do Miguel "o Miguel" Veloso, escavacando as ene balanças do Rochemback, incendiando os pneus do seu patrão e disparando indiscriminadamente a sua metralhadora como se fosse o Rambo no Afeganistão. Ainda estrangulando um esquilo, chega à janela térrea donde espreita Barbosa.
- Eu passo-me quando não vejo condições! Eh pá, dá-me cá uma raiva que nem queiras saber! Parto tudo o que vejo à frente! – desabafa Costa.
Barbosa prefere dar início ao croissant com pedaços de amêndoa na cobertura. Não responde.
- Mas isto é o quê, pá? Jogar à bola na relva? Na relva? Mas aonde é que chegámos, pá? A relva é para os bois e para as vacas não sagradas, pá! Não é para mim! Essa porcaria está cheia de pesticidas, pulgões e ácaros da mais variada espécie! Só admito espalhar classe num tapete de veludo beatificado pelo vinho santo do São Vilarinho (versículos de São Costa, 7:1)!
- Hmm, hmm – grunhe Barbosa. Provavelmente, sentindo a delícia do praliné gostoso.
- E que porcaria de entrada em campo é esta, pá? Eu ando sobre as nuvens ou sobre a água… mas sobre a terra batida? Ó Barbosa, isso é mesmo para provocar-me, não é? Tu queres que eu me passe dos carretos, não é? – e dito isto, Costa parte violentamente um vaso que estava no parapeito. Barbosa demora alguns segundos a responder.
- Eh pá, não me partas a louça!... Tenho tantas dificuldades para a pagar… Agora puseste-me triste e já não me apetece falar mais… Vou afogar as minhas mágoas num vulgar croissant de chocolate. Ou melhor, num pastelinho de nata, que está mais queimadito, coitadinho… Eu tenho muita pena dos pobrezinhos…
Mal Barbosa finca o dente misericordioso no pastel, Costa abespinha-se:
- Esse pastel não tem condições! Alertei a ASAE e eles não fizeram nada quanto a essa questão! Essa porcaria só aumenta o colesterol! E isso deixa-me… furibundo! AHHHHH!!!!! – ao mesmo tempo que grita, Costa imprime uma sacrossanta cabeçada na persiana, desfazendo-a em pedaços.
Barbosa, de boca cheia, tenta por tudo mover-se para agarrar e acalmar São Costa, mas só consegue mexer ligeiramente o indicador enquanto cospe um bocado do pastel:
- Ó ‘Osta… ó ‘Osta, ‘tá lá ’ieto com isso... assim ‘ás-me ‘abo da ‘asa…
- Mas qual casa, pá? Isto é um casebre sem condições! Isto é o terceiro mundo! Pensava eu que eras um visconde!...
- Tenho uma casa humilde. Por favor, não me destruas os estábulos nem importunes as éguas. Pode ali estar um novo Ronaldo e eu preciso disso para comer.
- Ronaldo?!? Bah, um jogador sem condições para o Benfica!
- … mas olha que ele é caro como o caraças…

São Costa ouve falar em coisas caras e refreia os seus ímpetos.
- Mas… caro, como assim?
- Muito caro.
- Tipo… bué, bué caro?
- Caríssimo. Do mais caro que pode haver.
São Costa escuta uma música celestial e um halo de luz desce dos céus, envolvendo todo o seu fato Armani. Hossanas ao Senhor, podia estar ali o novo reforço! Costa está muito interessado em saber mais.
- Hmmm… E o tipo joga bem?
- Então não? É do melhor.
Costa enfurece-se outra vez.
- Eu logo vi! Não tem condições! Tem de ser caro e não valer a ponta de um corno para ter lugar no plantel! O verdadeiro símbolo do Benfica sou eu!

Barbosa já chupa os dedos e lança um olhar apaixonado sobre a travessa de bolinhos de coco que repousa sobre a sua caminha de feno. Nota-se que Barbosa gosta de comer enquanto os outros estão a falar e por isso tenta prolongar um bocado a conversa.
- Mas o símbolo do Benfica não é a águia Vitória?
- É um animal sem condições! Só eu possuo condições ideais!
- E antes não era o Eusébio?
- Tem algumas condições, nomeadamente no que concerne à identificação do marisco… mas não chega!
- E porque é que tu…
- Porque eu sou do povo e tenho um BMW topo de gama, estofos de cabedal e jantes de liga leve, que conduzo com alto estilo e óculos Ray-Ban a condizer, ´tás a ouvir? Quase quarenta anos e um cabelo de pedir meças ao Mick Jagger, ´tás a ver? Sem um cabelo branco que seja! E tu, ó visconde falido?
- Tenho um tractor agrícola Same. Dá jeito para apanhar a azeitona.
Costa, o santo que tem a mais bela voz de todos os directores desportivos que fumam nos túneis de acesso (versículos de São Costa, 68:70), exaspera.
- Percebes agora o que te digo? Não tens condições!
- Não menosprezo o meu tractor – defende Barbosa, tirando a cereja cristalizada do topo do seu bolinho – Só eu sei a adrenalina que senti quando dei 30 Kmh pela estrada que vai do pavilhão ao relvado… sem capacete. Sempre a rasgar. Sempre nos limites. Uma loucura.

Entretanto, ouve-se o galo cacarejar e chegam notícias que dão conta que o jogo dos miúdos tinha terminado. Costa e Barbosa ficam frente-a-frente, num longo momento de embaraço, sem assunto para desenvolver. Costa, olhando para todo o rasto de destruição que deixara na modesta herdade de Barbosa, tenta improvisar uma despedida.
- Pá, então… Ficamos assim… Havemos de marcar um jantar um dia destes...
Barbosa aceita a sugestão com agrado, parando por instantes o seu semi-frio de café.
- Isso pode ser. Pagas tu? Sabes que eu ando um bocado à rasca… e agora ainda tenho de pagar o que tu partiste…
- Paga a imprensa – decide São Costa – Que esses trastes sirvam para alguma coisa! Ando cá com uma raiva a esses gajos!... Eu já os conheço a todos muito bem e tenho respostas muito boas para eles... Do género: eles perguntam-me “ah e tal, fulano e sicrano” e eu faço aquele sorriso malandro a mascar pastilha e só lhes digo “amigo, eu não papo grupos!” e eles ficam a andar à roda! Tomem lá! Quando penso nisso fico cá com uns azeites!...
Barbosa apazigua:
- Não penses mais nisso. A culpa é do Porto.
Costa é atingido em cheio no seu coração. Estabelece-se uma súbita empatia. A ira transforma-se em sorrisos.
- Nem mais! Nem mais! Pá, tu quando queres até sabes! Desculpa lá a maçada, ó Barbosa! Dá cá um abraço! Amigos como dantes?
- Tudo bem… pode ser… cuidado, não me esborraches o éclair. É o último e acho que dei um mau jeito no braço quando me estiquei para ir buscá-lo.

sábado, junho 27, 2009

Flama, o homem que todo o clube chama

Flamarion
Sim, Flamarion!!

Nao me digam que se tinham esquecido deste defesa brasileiro.
De seu nome, Flamarion Petriv Abreu. Já se lembram?

Pousou em Guimarães onde foi titular indiscutível. 30 jogos em 2001-2002. Numa equipa onde pontificavam Abel, Bessa, Rog. Matias, Cléber e William na defesa. E um ataque demolidor com Guga, Laelson, Fangueiro, Romeu e Sion. Grande tempos deste Vitória...

Mas voltemos a Flamarion.
Que foi feito deste senhor? Pois bem, rumou ao Estrela da Amadora, onde mais uma vez foi titular! desta vez treinado pelo sr chicla de boca aberta - Jorge Jesus.

Na epoca seguinte, Flamarion pensou: " fogo, na amadora? nem pensar! Ouvi dizer que na Maia é que se vive bem" e assim foi. Mais um ano titularíssimo. numa equipa com Erivan, Bodunha, Ricardo Nascimento, Saulo, Basílio.
Mais uma vez Flamarion mostrava a sua raça com 25 jogos.

Mas para mal dos nossos pecados, parecia não gostar de estar mais do que 1 ano no mesmo clube. Então rumou à Coreia Sulista, no Deajon. Depois Arábia Saudita, no Abha.

Depois... Mixto Coritiba! Que carreira, meu deuuuuuuuuus.... que orgulho.
A seguir o CSA de Alagoas e no ano passado o Caldense.
Digam lá que não foi uma poesia estas ultimas 3 linhas de clubes de futebol.

Obrigado Flamarion, por teres passado pelos relvados portugueses. Serás o ídolo de muita juventude.. quer dizer, de muita nao.. mas pronto, de algum. Principalmente aí em Caldas do Brasil!

domingo, junho 21, 2009

Rogério, o Matias

Rogério, o Matias..

dos poucos esquerdos, esquerdinos, canhotos.. vá, pé esquerdos nacionais.
A nossa selecção podia tê-lo aproveitado mais, é um facto, mas há 8/9 anos que andamos a adaptar jogadores a essa posição.. é o destino!

No meu tempo, quando eu era uma criança, ou seja quando eu era um Ricardo Labrecas depois de sofrer um golo, diziam que canhoto era mau e puxavam-me sempre para ser destro.
Ora agora pegam nos destros e tentam pô-los a canhotos.. ou então pegam nos médios que gostam de jogar a construir.. e põem-nos a construir buracos na defesa.

Bem, mas falando de Rogério O Matias, encontrámos esta bela foto no nosso baú de arquivos cheios de pó (ou será ? Ou Plinio? Ou Pinha? ou Peu) e teias de Beto Mãos d'Aranha.


















Espectacular.. esta foto feita na Maia, 10 minutos depois de Rogério ter ido ao cabeleireiro. Como é óbvio, este plantel liderado pelo Major e com a presença do esguio Miguel Barros, fazia merecer um jogador como este. Rogério Pedro Campinho.. reforço.... Campinho Marques Matias.

Subiu a pulso na carreira, sempre com esta imagem de marca do belo cabelo.
Nunca tinha encontrado alguém à sua altura.. e por isso no final da carreira pensou "Ê porque nâum jugári, compadris, onde alguém tenha um cábêlo à minha altûra?" (Rogério é ribatejano, fala assim)

E assim foi, obtendo este momento histórico que os nossos repórteres conseguiram sacar:













Palavras para quê? São 2 artistas capilares dos capilares relvados capilares portugueses.

segunda-feira, junho 15, 2009

Chamar a Música - A Sequela

Prometemos que iríamos regressar com mais uma ligeira incursão pelas profundezas sórdidas e insalubres do satânico casamento entre a bola e o mundo da música, e quando Cromos da Bola SAD promete, Cromos da Bola SAD cumpre.

Vota Cromos da Bola SAD.

Prosseguimos com um álbum que fez furor em 1997, um ano de boa colheita, que contou com surpreendentes clássicos do calibre de "O Meu Transistor Não Tem Pilhas" de Nicola Spassov, ou "Songs From Niksic" da revelação Drago Poleksic's Big Band.

Falamos obviamente de "Pequeñito en Old Trafford", o disco de estreia de Costa.


















Quatro cançonetas agridoces, imbuídas de uma ingenuidade desarmante e de um talento a toda a prova. Um tetra de chansons de travo gaulês, regadas com uma leve fragrância a escândalo.

O surpreendente petiz bracarense, lançado às feras pelo criativo produtor Tony Oliveira, mostra-se ao Mundo com a candura própria de quem sonhou um dia acariciar os maiores palcos planetários, e os afagou com a inexperiência própria da primeira vez.
E como não há amor como o primeiro, este álbum terá marcado definitivamente a carreira do noviço baladeiro, que se despede dos seus recém conquistados fãs com a derradeira faixa do álbum, a comovente "Au Revoir (el dulce beso de la muerte)".

De um beijoqueiro para outro, desta feita narramos as sensuais desventuras do indiscutível rei das lusas redes, pintadas a tons de sedução vocal.
Neno quer deixar uma marca indelével nas nossas almas, e sobretudo na nossa retina. Como tal, decide martelar-nos a visão com sete impressões do seu nome em maiúsculas, e mais três para a sobremesa, em minúsculas.
Questiono-me: Qual será mesmo o nome do álbum?













Será "NENO NENO NENO NENO NENO NENO NENO" ou "neno neno neno"? Ou ainda "NENO NENO NENO NENO NENO neno neno neno NENO NENO"?
Só sei que nada sei. Isso, e que o referido álbum será de certa forma homónimo. Provavelmente pluri-homónimo.

Para um artista cujo momento mais alto passou por ficar com o maxilar preso na rede, cheira-me a demasiado pretensiosismo...mas claro que o meu olfacto ficou irremediavelmente danificado desde que fui ao Festival do Feijão de Bucelas com o Odaír, o Pu e o Vinícius.
De toda a maneira, o meu sentido auditivo ainda está aí para as curvas, portanto podem contar com futuras versões da relativamente-premiada rubrica intitulada "Chamar a Música".

segunda-feira, junho 08, 2009

Cabelo À Homem (De Nkongsambaau)

Estava aqui a pensar com os meus Honi Serges: “tens mesmo cara de quem nasceu em Nkongsambaau”.


















Depois fizeste-me sentir melhor por nunca cortar o meu cabelo em Leiria.
E tu também não me pareceste muito satisfeito com o tratamento estético: mal fugiste da vista do feudal Bartolomeu, saltaste a fronteira e implantaste um tapete persa de qualidade duvidosa comprado ao tio-avô do Quaresma, logo ali a sangue frio na traseira da sua Ford Transit.

Com resultados avassaladores, diga-se de passagem:

A tua carapinha brilha no escuro, tal como um pirilampo mágico na área, constituindo o farol ofensivo para onde choverão bolas de pânico à medida do teu portentoso 1,73m.
Esta nova coloração também faz parte de um tratamento anti-lêndeas revolucionário. Um tratamento revolucionário para as próprias lêndeas, bem entendido, que têm na tua cabeça o seu resort de luxo com direito a spa e tudo. Ou seja, és uma espécie de Quitoso ao contrário.

Tu és mais que uma simples simbiose entre homo sapiens e pêlo de furão. Consigo distinguir em ti ligeiras fragrâncias de Abel Xavier e noto que piscas o olho ao Wesley Snipes. Se eu tivesse que arranjar um termo de comparação, diria que és um troll ao qual faltou correr o 2º CD de instalação do software. Mas como não tenho, coloco antes um termo às comparações.

Mesmo com essa performance capilar que pede meças a qualquer um dos vários Miguéis Velosos que andam por aí a destilar aversão aos pronomes, continuo a dizer: “tens mesmo cara de quem nasceu em Nkongsambaau”.
É um grande Gal.

terça-feira, junho 02, 2009

Champions League

Prestamos hoje a merecida homenagem a alguns dos mais ilustres campeões da nossa deprimida, porém sempre cromática Nação.

Começamos pelo topo; Liga com nome de cerveja que não é super, nem mítica goleadora de divisões inferiores, mas sim navio de referência e símbolo maior da Marinha Portuguesa.

De um trago só, a referida Liga foi uma vez mais engolida pelos senhores do costume, sempre sedentos e com vontade de beberricar uma loira fresquinha que recompense a longa caminhada, aqui e ali salpicada de cromicidade.


















E já que de cromicidade falamos, que seria desta conquista sem um pequeno canhoto argentino, ex-suplente de Lanús, clube atlético e sem feitos de monta para se gabar? Estaremos certamente a falar de uma mini e não um príncipe, apesar do dançável tango que nos terá sido propiciado.

Nélson, bebe amigo, pois logo serás expulso da mesa. Não tens culpa que outros prefiram o green, outros funcionem a diesel, e que no fundo, ninguém aprecie a mini. Mas deixa lá esses sacripantas, e pede mais uma para a viagem. Pagamos nós.

Arrumada a cerveja, desta feita tratamos de água, símbolo de pureza e juventude. Apesar da Liga que dela tem o nome ter sido relegada para segundo plano, vital continua a ser.

E já que de H2O falamos, nada melhor que recordar a intemporal cançoneta de um jovial baladeiro setubalense, que relatava um amor impossível - de duas vidas separadas pelo tempo. Duas lágrimas caindo no momento em que se acende a dor. Olhos de água. Não deixam de sentir. Olhos de água.

Seu nome era Toy, e da vivaça altivez de sua mosquinha berrava para que soubéssemos que as meninas sem par só poderiam dançar se chamassem o António.

Mas em Olhão, outro Toy procurava a redenção de uma partida em falso. Agora no sprint final daquilo a que eufemísticamente chama de "carreira", o ex-futuro-Eusébio e actual sobrevivente da condição física conhecida por Mawetakwápepatoy, assinou o tento que colocou a bejeca na calejada mão do S.C. Olhanense, agremiação que há 34 anos não sorvia o cálice do prazer original.

Porém, os 6 golos e 7 amarelos do avançado ex.quase.futuro@pantera.negra.pt nunca teriam sido possíveis sem o criativo Deus que arma o jogo algarvio. Messi, o símbolo do futebol romântico que persiste em mastigar o calcio mecânico-musculado e a cuspi-lo com desprezo. Com Messi em campo, a mais bela escultura de Donatello toma vida sobre o relvado, com a comovente anuência de Rudolf Nureyev observando em plié todo este quadro digno do pincel de Gauguin.
Obrigado, Mágico Messi. Olhão te ama, coño.

















Na Invicta, não houve apenas uma agremiação de copo na mão. Na estação de metro de Vidal Pinheiro, festejou-se durante um mês inteiro.
A II Distrital já é passado, um pesadelo do qual Cao acordou com suores frios e espancou violentamente até ele se retirar e pedir perdão por ter existido.

A Fénix voa, minha gente. A Fénix sobe, altiva, orgulhosa, e com a certeza de não queimar as asas como Ícaro. Pois Ícaro era um jovem valoroso, mas não tinha a ajuda de um Falmeida. Não tinha Renato de seu lado. E todos sabemos que Cao é o melhor amigo do Homem.

Os campeonatos profissionais já não são apenas um sonho, são um objectivo palpável e sedutor, que sorri provocador, piscando o olho à Fénix. Porém, precisará a Fénix de mais ajuda?
A caixa 5, sector 2 da Exponor está sempre aberta. Mesmo para quem tem mais do que 5 unidades.

Finalizamos com um campeão que não o foi.

O boné da JCA viajou até Oeiras, em ambiente festivo e protegendo inúmeras sardinhadas do impiedoso sol. Porém, veio de lá vazio, sem taça e sem massa.
Mas um campeão faz-se de taças, ou da forma inequívoca como arrebata corações e conquista almas diletantes?


Hoje, meus amigos, habemus campeone. Ferreirem-me os Paços, pois Jorginho levou o Senhor Bigode à final da Taça Millenium, depositando uma saudável dose de verdadeirismo nos cofres depauperados da portugalidade, e passando um peludo cheque endereçado a todos nós.

Jorginho cultivou, Jorginho deixou crescer, e Jorginho disse: "Para vocês, Portugal, um cheque no valor de 5.000 juras de amor."

E nós, companheiro Jorge, nós seremos a tua muralha de palha d'aço.

Campeão allez.

domingo, maio 24, 2009

Não Sabemos Se Há Mais Alguém Que Exponha Cromos Do Fafe Na I Divisão…

… mas se houver, com certeza que não estará a passar um bom bocado e, com alguma sorte, já deve estar a caminho das urgências de um hospital qualquer, onde será bem tratadinho com uma daquelas camisinhas brancas com umas fivelas e uns braços muito compridos que se aconchegam muito bem ao corpo.

Por isso, resolvemos fazer História. E como se faz História? É muito simples - é só fazer isto:

E pronto, já fizemos História, prestando homenagem à História, revelando o que hoje parece impensável, mas que aconteceu realmente há coisa de vinte anos atrás. É muito fácil e recomendamos vivamente para que experimentem fazer História também nas vossas casas, afastando em primeiro lugar todos os móveis para não haver chatices.

Mas depois disseram-nos “eh pá, isso só não basta, queremos discutir alguns casos particulares” e nós dissemos-lhes “devem estar a brincar, hoje é o Domingo em que acaba o campeonato e a nossa vida não é esta” e eles responderam-nos “vá lá, façam-nos esse Saganowski” e nós a insistir “não, nem por dois Basaúlas” e eles “vá lá, só um Pingo” e nós “então está bem, mas só desta vez”.
Então fiquem lá com o Grosso. Não é o Fábio italiano, mas o portuguesíssimo Grosso. Grosso foi um dos mistérios mais bem guardados do futebol português. À primeira vista, parece um central anónimo, igual a tantos outros Lemos dos nossos relvados. Mas depois de uma análise um pouco mais cuidada, ou seja, lendo bem o nome dele, ficamos logo com uma série de dúvidas. Ou melhor, apenas com uma: que raio, porque é que ele era (e é) Grosso?
Várias hipóteses se arremessaram para cima da mesa, derrubando o pires de tremoços e fazendo tremer a mini, criando aquela espuma incómoda que sabe mal:


- Seria pelo facto de ser um tipo assim a atirar para o gordo? Não parece, o Grosso até tem um aspecto elegante;
- Seria pelo facto de ser um tipo de maneiras rudes, pontapé para o quintal e cuspidelas na cara do avançado? Não cremos, porque temos a ideia que Grosso era um central de fino recorte;
- Seria pelo facto de ter um vozeirão tipo trovão que impõe respeito a um pelotão de fuzileiros? Não se nos afigura como provável, dado que Grosso possuía uma voz ali entre o Ricardo com cólicas e o Popas da Rua Sésamo;
- Seria pelo facto de granjear imenso respeito no(s) seio(s) da comunidade feminina, que dizia à boca cheia “aquele gajo… eh pá, aquele gajo é muita grosso! Ui, qual Tom Cruise qual quê, aquele central é que é mesmo grosso”! Pode ser, quem sabe, vá lá alguém entender as mulheres;
- Seria pelo facto de possuir alguma parte corporal um pouco mais robusta que a maioria dos mortais? Estou a pensar numa protuberância corporal qualquer, sei lá… por exemplo, o nariz. Pois, o nariz. Seria que era pelo facto de ter o nariz grosso? E, conjugando esta hipótese com a anterior, seria isso que levava as mulheres ao delírio? Quem diz o nariz diz as pernas ou outra coisa qualquer, é preciso é imaginação.


Ninguém sabe a resposta ao certo. Grosso ainda hoje é um grande ponto de interrogação e tema tabu nas tertúlias fafenses, que omitem voluntariamente o dossier Grosso dos seus convívios. Fala-se em Grosso e as pessoas começam a tossir, voltam as costas, fecham-se as portas e as janelas, ninguém sabe nada, ninguém viu nada, é um verdadeiro pacto de silêncio que impede esta questão de ser resolvida a contento.

E como somos uns tipos que até nos achamos porreiros, decidimos presentear a nossa fiel massa associativa com mais dois brindes que certamente lhe encherão as medidas: dois bigodes do antigamente, dois orgulhosos registos de virilidade desportiva.
Então com licença e cá vai um José Albano:

Não é preciso dizer muito, só acrescentar que este foi um goleador do povo, o pão que encheu as bocas das equipas secundárias e que viveu uma relação conturbada com o estrelato, sentindo-se apenas um verdadeiro peixe nas águas inquinadas desse grande pântano que era a II Divisão. Definindo José Albano em termos musicais, podemos dizer que ele nunca foi artista para os grandes palcos mas sim o indie rocker definitivo, aquele que sempre gravou álbuns magistrais em estúdios obscuros e por quantias irrisórias.

Para finalizar, desviem aí os cotovelos, arranjem só mais um espacinho para colocar este Quim:

Bem, aqui nem é preciso dizer nada. Chama-se Quim e ostenta um garboso bigode. Agora já sabem quem foi a verdadeira musa do Quim Barreiros.

Já todos vimos bicicletas a andar em cima de porcos. É banal. Agora podem dizer que já viram cromos do Fafe na I Divisão. Isto sim, já é qualquer coisa.

sexta-feira, maio 22, 2009

Bafode Watch - Abril


Estou bafodido de facto.. porque Bafode Carvalho lesionou-se neste fim de época.. juntando-se assim a Mantorras nas 1000 corridas que já deu à volta do relvado.
Em Abril, Bafode despediu-se desta época, ao actuar pela primeira vez como titular!!!

Foi a 5 de Abril, contra o Gondomar, na terra do Major Valentim. Agora vemos Bafode Carvalho a sair de jogo e não a entrar aos 75/80 minutos. Saiu aos 65, no jogo em que o Gondomar bateu o Estoril por 3-0!! A lesão traiu a recuperação no resultado com a ajuda de Bafode do Carvalho.

A partir desse momento, Estoril não teve mais Praia, o Estádio não teve mais Amoreira, e o Amarelo e Azul passou a verde e lilás...

Boa sorte Bafode para a próxima época.
We will be watching youuu!!!!

quinta-feira, maio 21, 2009

Pollnito


Após 236 votos de amantes da bola e/ou cibernautas confusos, a comissão de Cromos da Bola, SAD decidiu fechar a Pollga para lateral-esquerdo.
A bem da democracia blogosférica, aproveitámos ainda a reunião para aumentar os ordenados da administração em 125% e proibir rissóis de camarão em futuras confraternizações.

Assim, e sem mais delongas, apresentamo-vos a nova contratação do nosso desajeitado plantel: o anti-camaleónico Nito, Rei das Cadernetas Panini da década transacta.


Damos desta forma as boas vindas ao macambúzio lateral e ao seu habitual esgar de desprezo pela humanidade em geral, e pelos vendedores de pipocas em particular.

Para trás ficaram símbolos do calibre de Escalona, essa cartolina vermelha com duas pernas e um penteado sul-americano, bem como Quim Berto e Rojas, terceiros classificados ex-acquo. Uma plétora canhota de inutilidade deslizante sobre o verde quadrângulo, qual lodo representativo de uma mistela sem talento.

Porém, estamos felizes. Esta nova aquisição traz velocidade, acutilância, desprezo, e uma imutável expressão facial ao flanco esquerdo da equipa, onde o rústico bombardeiro Formoso já pode contar com uma muleta de eleição.

E a Nito, amigo, novo camarada, irmão de armas e sorrisos a meia haste, agradecemos-te: um Bem-Haja pela muleta.

quinta-feira, maio 14, 2009

Chamar a Música, Parte I

O futebol é viveiro das mais variadas estirpes cromáticas, dando a conhecer ao Mundo características de determinadas personalidades que de outra forma estariam enterradas debaixo de uma pedra.
Exemplos há aos pontapés, desde às extraordinárias capacidades de actor de Luís Figo, ao sucesso de João Moutinho como empresário, até às revelações de Romicha e Chipenda como poetas, ou de Petar Mitharski como estofador de reconhecido gabarito.

Porém, estamos aqui hoje para falar de música. A música, tal como um drible de Ali El Omari, existe para nos ofertar momentos de êxtase, para nos reconfortar, envolver num doce abraço ou mesmo como forma de dar a volta à cabeça de uma jovem fêmea, embalada pelo canto romântico de um qualquer Clemente. Há mesmo quem diga que o canto musical é uma forma de engate mais eficaz que a cerveja ou que o visionamento do Sérgio Lavos a projectar muco para o relvado num Domingo à tarde.

Como tal, apresentamo-vos os futebolistas mais melódicos do panorama cromístico nacional, e suas infames desventuras no Mundo da K7 pirata e maxi-single da feira.

Respeitando a venerada ordem cronológica, iniciamos a nossa demanda por Itália, carismático País de inusitada formosura arquitectónica, de saboroso arrojo gastronómico e de Emanuele Pesaresi.

Corria o ano de 1981 (ainda faltavam 9 para o nascimento do messias Jonathan Matías Urretavizcaya da Luz) e na localidade de Avellino brilhava intensamente um diminuto avançado brasileiro, explosivo no arranque e de sorriso fácil no rosto. Dava pelo nome de Juary Filho e iria um dia escrever pela sua pena uma bela página do futebol europeu e mundial.

Mas primeiro, o cataclismo.





















Famoso pelos números de samba que realizava em torno das bandeirolas de canto depois de molhar o feijão na tapioca, o veloz Jotinha cultivou uma pequena horde de fãs. Um deles teve a infeliz ideia de lhe dar um microfone para a mão direita, uma pandeireta para a mão esquerda, e um artista gráfico presumivelmente amblíope para desenhar (?) este quadradinho de prazer que aqui vêem.
Juntem-lhe uma fotografia representativa de um Juary a berrar aos sete ventos "Tenho prisão de ventre!", e temos a receita macabra que resultou em "Sará Cosi", álbum também conhecido como "a primeira incursão do samba italiano pelas amargas vielas da depressão profunda".

Podem adquiri-lo por 15€ no Ebay. Eu não esperava nem mais um segundo, mas cada um sabe de si.

Linda de Suza não ficou famosa pelos seus dotes futebolísticos (ainda que Teolinda Joaquina - o seu nome de nascença - rivalizasse com um qualquer Rúben Micael deste Mundo), mas decidimos incluir a mademoiselle luso-francesa nestas infames desventuras do casamento melódico-cautchú.















Em 1987 (3 anos antes do nascimento do messias Jonathan Matías Urretavizcaya da Luz) vivia-se a loucura gerada em torno do genial astro argentino Diego Armando. Sendo uma astuta mulher de negócios, Teolinda decidiu elaborar uma receita que a levaria a patamares até então só ocupados por Amália Rodrigues. Era certinho: pegar na fama galopante da hiperactiva cantora de voz cristalina e adicionar-lhe o renome e proveito do melhor futebolista do Mundo.
Hm. Se calhar não era assim tão certo. O resultado final foi uma amálgama sonora tão estrambólica e desconfortável quanto um romântico beijo entre a Zita Seabra e o Vital Moreira num congresso do Partido Comunista.

Porém, Teolinda, com a sagacidade e tenacidade que a caracterizavam, não se deu por derrotada. Planeou cuidadosamente o regresso à ribalta, num cirúrgico remake que iria fazer o seu primeiro "casamento" com o esférico cair no esquecimento. No ano da graça de 1994, a chanteuse faria o seu retumbante retour às costas de um insigne joueur de foot, e obter a sua révanche perante o público luso-francês. Para tal, a nossa Suza decidiu seleccionar um indivíduo que fosse representativo de características comuns à própria baladeira e ao 10 argentino:
Rui Esteves.

Descrito por mais do que uma vez como um "Maradona contrafeito", este loiro elfo dos relvados carregaria a sua valise en carton por 11 clubes ao longo da sua carreira como profissional, cotando-se como um emigrante de luxo em Países como Inglaterra, Coreia, Allgarve e China, bem à imagem da cantatrice que o tomou como Musa.

Infelizmente, esta parceria correu tão bem quanto a primeira, arrastando Teolinda de Suza para uma precoce decadência e precipitando o final de sua carreira como a Tony Carreira feminina. Esteves, que destrocava futebol a alto nível no Sado antes desta aventura extra-futebol, recebeu o mais letal beijo da morte que um futebolista poderia almejar: uma transferência para o Benfica de Artur Jorge.

Não foi, com toda a certeza, o final feliz que todos desejariam, mas de uma coisa podemos ter a certeza. O vencedor não foi a música.

Iremos postar mais álbuns de referência musical-futeboleira em breve. Stay tuned.
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